10/06/2011

Nota do CAHIS Caldeirão UECE sobre o Cancelamento do XXXI ENEH/ CONEHI Sergipe

Companheiras/os,

por entendermos que a Federação é e deve ser um instrumento de muitos e que tem que trilhar sempre um caminho de avanços e conquistas, o centro acadêmico de história da UECE (Caldeirão) tomou a decisão de escrever uma breve avaliação sobre os últimos acontecimentos.


Para isso, gostaríamos de começar com um breve histórico:


1. Há muito, vem se solidificando um esforço coletivo de transformar e estruturar a federação, de modo que ela apreenda em seu interior o maior número de estudantes possíveis e que atinga o maior número de escolas do Brasil. Esse esforço vinha, aos poucos, mostrando frutos - seja na ampliação do contato de escolas, na entrada de mais militantes, na convicção em torno de nossas pautas, na concepção de encontros, etc.

2. O ENEH Fortaleza foi um esforço de tentar garantir que esse acúmulo fosse acrescido. Assim, nos esforçamos em construir um encontro horizontal, com a participação de diversas escolas no interior de sua construção e com uma preocupação central no que dizia respeito aos debates e ao ato público. Essa preocupação era um reflexo da noção que tínhamos que o encontro deve, em primeiro lugar, alcançar todas/os as/os estudantes possíveis, pois acreditamos na importância de espaços amplos para a agitação de nossas bandeiras específicas e para o trabalho permanente do convencimento ideológico.

3. O ENEH de Fortaleza - assim como Belém, São João Del rey, Cuiabá - tiveram problemas e falhas em sua construção e efetivação, mas conseguiram ser realizados e aproveitados pela forte convicção que se tinha da importância desses espaços. E, vale ressaltar, que essa convicção vinha não só da comissão organizadora em si (que carrega um grande peso nesse sentido), mas também de todas/os militantes da federação.

4. Nesse sentido, acreditamos ter gerado em todas/os dentro da FEMEH boas expectativas em a escola da UFSC se propôr pra sediar o XXXI ENEH, visto que é uma escola orgânica dentro da federação, com acúmulo sobre todas essas questões acima levantadas, ex-sede de encontro regional SUL e com tarefas de regionais já conhecidas. Temos nas/os companheiras/os da UFSC uma confiança construída em todos os conselhos, seminários, encontros, etc, proporcionados pela federação; no entanto, queremos refletir e problematizar algumas questões.
Cancelamento do XXXI ENEH e CONEHI Sergipe
Além de um breve histórico do que vinha se trilhando e pensando para/enquanto federação, acreditamos que para compreender e avaliar o nosso atual momento, precisamos também colocar algumas questões candentes do cancelamento do encontro e do conselho realizado nos dias 03, 04 e 05 de junho em Sergipe.

1. Enquanto centro acadêmico, tentamos entender todos os problemas apresentados pela Comissão Organizadora. Em um longa discussão, avaliamos que a construção de um encontro não depende só de condições materiais, mas de um sedimentado convencimento político da necessidade do mesmo. Avaliamos de forma negativa a forma como o cancelamento se deu, sem aviso prévio às coordenações e sem nenhum tipo de comunicação com as demais escolas. 

2. Ao longo dos último quatro anos, os conselhos nacionais e regionais vem tomando um grande peso político dentro da federação, garantindo articulação, organicidade e debates para o nosso avanço. Não deslegitimamos nenhuma escola presente nem nenhuma proposta levantada dentro do Conselho. No entanto, acreditamos que uma problemática dessa dimensão e, consequentemente, quaisquer decisões posteriores, não poderiam ser decididas de última hora, sem debate prévio nas escolas. Frente à um conselho sem quórum, o posicionamento mais coerente seria ter tratado aquele espaço como uma reunião entre os c.a.'s presentes para debater alternativas e perspectivas para uma nova escola sede. Legitimar tal espaço e  as deliberações sem nenhuma coerência frente ao cancelamento e às reais necessidades das/os estudantes foi um grave erro dos representantes da Coordenação Nacional no espaço. Por isso tudo, consideramos as decisões (dadas como legítimas) e os encaminhamentos executados uma irresponsabilidade política, com a qual deveremos saber avaliar de forma séria para revertemos minimamente o quadro profundo de deslegitimação que a federação vem sofrendo em listas de e-mails e outros espaços da rede - sem falar do caos político estabelecido dentro dos próprios cursos.


3. Colocar como legítimo um seminário tirado neste espaço é outro grave erro que se comete. Como dialogar com as/os estudantes de todo o Brasil, se, além do cancelamento de última, se coloca como remediação um espaço limitado e sem objetivos claros? O isolamento político nunca foi nosso horizonte, e o trabalho de base e de agitação deve preceder qualquer tipo de outra iniciativa que posso ser tomada. Acreditamos que não podemos trabalhar esse seminário da forma que foi pensado, visto ele ser um espaço paliativo, sem metodologia ou objetivos claros, e que não contempla a demanda estudantil real.


Perspectivas.

Temos que ter claro quais são nossas principais tarefas nesse momento, para não nos perdemos em meio à frustração e deslegitimação. Tarefas que tenham como central a rearticulação das escolas, o esclarescimento de todo este processo, o debate sobre nossa estrutura político/organizativa e a escolha de uma nova escola sede. 


O necessário agora é garantirmos um novo espaço de debates, onde possamos (agora com mais elementos), nos posicionar sobre os rumos da Federação. Para nós, isso não pode ser uma simples reunião on line, nem um semináirio que aconteça daqui há mais de um mês, que sequer tem obejtivos claros. Esperamos que se possa construir um novo espaço presencial, onde poderemos, com tranquilidade e clareza, encaminhar posicionamentos concretos para o fortalecimento da federação e seus espaços de fórum.
 


Centro Acadêmico de História Caldeirão - Universidade Estadual do Ceará.

Postagens Anteriores