13/08/2011

Quem me dera ser um animal

Por Josias Michel


Utilizo diariamente o transporte público de Fortaleza, para ir ao trabalho, estudar e demais deslocamentos necessários. Todos deveriam ser incentivados a utilizar o transporte público por questões ambientais e de melhoria de tráfico urbano, mas infelizmente quem usa esse meio de transporte o faz apenas porque não tem poder de escolha.
O inferno começa na tentativa de parar um ônibus, várias vezes passam com excesso de pessoas, é possível ver rostos e bundas coladas no vidro das portas. Quando finalmente ocorre dele parar começa o empurra-empurra desesperado, cotoveladas e outros tipos de agressões. Tudo isso para evitar ser o ultimo a embarcar, caso isso ocorra a pessoa corre sérios riscos porque o motorista geralmente não espera concluir o embarque, parece que utiliza um cronômetro para a “competição de embarque”, os fracos ficam e os fortes sobem.
Uma vez dentro do ônibus sofrendo calor, maus odores e prensadas, começa a guerra para tentar chegar na parte dianteira antes que o transporte coletivo chegue ao destino. Entre xingamentos e pedidos de desculpas vamos enfrentando esse desafio diário. Pisões nos pés é quase inevitável.
Em alguns momentos refletindo durante as viagens sobre as humilhações diárias me senti como um animal, mas nem meu animal de estimação passa por tratamento igual e até os animais selvagens tem quem se importa com eles. Alguém se importa com os infelizes usuários de transporte público? Espero que você se importe.
Queria ser um animal, eles tem proprietários que cuidam para que sejam transportados com zelo e segurança, caso contrário teriam prejuízos. O gado, por exemplo, com perda de peso e ferido tem menor valor no mercado. Eu perco meu valor todo dia e ninguém se importa. Ninguém se importa se sou agredido, humilhado, coisificado. Quem me dera ser um animal para ser valorizado.


De um quase animal...

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